Ajuda ao Haiti: Bondade ou oportunismo eleitoreiro?

Manchete do Portal Terra: “Lula pede a ministros que não falte dinheiro para o Haiti”.

Quando idealizei a expedição para viajar por todo Brasil e mostrar as qualidades e potencialidades do país, os interiores da nação e o que temos de bom para oferecer, que poucos se preocupam em mostrar, tinha em mente fazer alguma coisa que pudesse ajudar, no sentido mais poético, altruísta e filantrópico da palavra.

Sem nenhuma ajuda do poder público ou privado, com pouco dinheiro no bolso e uma enorme gana de colocar a disposição do próximo meu oficio de jornalista, dei início a viagem, acompanhado de um jovem escritor mineiro.Vimos lugares maravilhosos, cidades encantadoras, recebemos ajuda de cidadãos comuns e uma “mãozinha” de algumas prefeituras para arrumar lugar para dormir e comer, foram três Estados e várias cidades. Além das belezas naturais, vimos muita miséria, prostituição, crianças pedindo alimento na estrada e casas com plaquinhas que diziam: “Necessitamos de alimentos.”

Isso é Brasil. O mesmo país que hoje diverge com os EUA para ver quem realmente está no controle do Haiti, o país que manda milhões de dólares para as mazelas de fora e esquece da calamidade que aqui existe.

Em ano de eleição parece que a desgraça dos outros caiu como uma luva, de um lado o governo oferece uma infinidade de ajuda com homens, aviões, comida, remédios, médicos, bombeiros, toda ajuda que milhares de brasileiros em diversas partes do Brasil sonham em receber.

O homem que se orgulha em dizer que veio de família humilde, esqueceu que seu povo continua na miséria.

O Brasil está entrando numa espécie de “guerra fria” quer mostrar ao mundo que pode mais, mas deveria mostrar aos brasileiros que pode fazer o básico por aqui.

A calamidade no país caribenho e as eleições que se aproximam no Brasil, podem ter motivado a atitude relâmpago do governador do Estado de São Paulo em homenagear a médica Zilda Arns que acaba de ser sepultada. O nome da criadora da Pastoral da Criança será eternizado num parque da capital paulista. Merecida homenagem, mas será mesmo que estão todos munidos com espírito de bondade ou estão aproveitando a desgraça alheia em ano eleitoral?

Assim como me propus a viajar o Brasil sem dinheiro e sem ter lucro para mostrar que nossa nação vale a pena ser levada a sério, um casal de médicos também faz uma expedição chamada “Médicos da Terra” e viajam para salvar vidas por todo país, e assim há tantas outras pessoas dispostas a fazer o bem sem visar nenhuma recompensa.

Acompanhando a disputa que se tornou o Haiti para ver quem pode mais, pois os olhos do mundo estão voltados para lá, causa uma sensação ruim. Esqueceram que existem vários Haitis dentro do Brasil, mas os pobres miseráveis daqui não têm mídia, é melhor manter o foco e o dinheiro onde está toda a atenção no momento, tudo revestido no preceito de ajuda humanitária encobrindo talvez uma grande campanha eleitoral nada gratuita.

É preciso ajudar os que necessitam sim, não há dúvidas, esse artigo não é uma apologia ao boicote ao auxílio ao povo haitiano que tanto precisam, mas é preciso deixar claro que o Brasil há anos já vem fazendo sua parte por lá, está na hora de investir um pouco nos miseráveis de cá.

Quem sabe um dia a manchete dos jornais sejam que o presidente mandou não faltar dinheiro para acabar com a fome no Brasil. De preferência pensando no povo e não nas urnas.

Por Laércio Guidio

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